Dez lances antes do fim da partida, Valentina Magalhães Meira, de 13 anos, encontrou o caminho para vencer. Sem mover as peças, analisou mentalmente a sequência de um ataque e apresentou a solução ao treinador. A posição era complexa, mas ela calculou cada etapa com precisão.
“Fiquei bastante surpreso porque não era uma posição simples e ela calculou com perfeição”, conta André Kemper Baptista, mestre nacional de xadrez e treinador da enxadrista.
Natural de Vitória da Conquista, na Bahia, onde mora até hoje, Valentina começou a jogar aos cinco anos e já reúne títulos brasileiros. Em 2026, conquistou o Campeonato Brasileiro nas modalidades clássica, rápida e blitz da categoria sub-13. Por trás das medalhas, há uma rotina de estudo, curiosidade e desafios que exigem mais do que conhecer os movimentos do tabuleiro.
O primeiro encontro com o xadrez aconteceu nas férias de 2019, na casa da madrinha. Valentina já pedia um tabuleiro à mãe, Ana Paula Magalhães Fernandes Meira, que considerava o jogo difícil para uma criança daquela idade.
A tia apresentou os movimentos básicos. Valentina aprendeu, venceu e quis continuar. Meses depois, ganhou um jogo para praticar em casa. Nas aulas da escola, passou a conhecer novas jogadas e, ainda naquele ano, começou a participar de torneios.
Em uma das primeiras competições escolares, aos seis anos, enfrentou alunos de até 11 e venceu todos os adversários, segundo a mãe.
O interesse por desafios já aparecia em outras situações.
