Você já ouviu falar no cacto-candelabro (Euphorbia ingens)? Apesar do nome, ele não é um cacto verdadeiro, e sim uma suculenta da família Euphorbiaceae, os cactos reais pertencem à família Cactaceae. Apesar da curiosidade, essa não é a característica da planta que mais chama a atenção, mas sim os riscos que ela traz ao ser tocada.
Comum no Brasil e muito confundido com o tradicional Mandacaru, o perigo do cacto-candelabro está ligado ao látex branco que é liberado quando seu caule ou ramos são cortados ou lesionados. Ficar apenas perto da planta não representa nenhum perigo.
“Esse látex contém substâncias irritantes, incluindo ésteres de diterpenos, associados a efeitos inflamatórios e citotóxicos. O contato com a pele pode causar irritação e lesões semelhantes a queimaduras químicas”, explica a botânica Dayse Ferreira, da Diretoria de Vegetação e Flora do Jardim Botânico de Brasília.
As lesões não atingem somente a pele. O contato com os olhos pode provocar conjuntivite, lesões do epitélio da córnea, edema corneano e inflamações nas estruturas oculares internas. Em casos graves, pode haver cicatrizes corneanas e até perda permanente da visão.
“Existe um relato científico específico de lesão ocular por Euphorbia ingens publicado em 2023 na revista Archivos de la Sociedad Española de Oftalmología. O paciente apresentou conjuntivite, lesão corneana e uveíte após contato indireto com o látex, mas teve recuperação completa com o tratamento”, relata Dayse.
