Um laudo pericial contratado pela defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, pode abrir uma saída jurídica para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento levanta dúvidas sobre a integridade dos arquivos extraídos do celular do ex-banqueiro. Se a Justiça reconhecer algum comprometimento do material, as provas obtidas a partir dele também poderão entrar em questionamento.
O possível efeito interessa a Moraes porque a Polícia Federal (PF) identificou ao menos 52 mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro. A troca de mensagens veio à tona em meio ao escrutínio sobre a relação entre os dois. Na mesma época, o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, mantinha um contrato de até R$ 131 milhões com o Banco Master e outro acordo de R$ 50 milhões relacionado ao uso de aeronaves.
O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, também pediu a abertura de investigação sobre o caso.
Laudo questiona integridade dos arquivos
A perícia examinou os dados que a PF entregou ao STF e que chegaram à defesa de Vorcaro. O material, contudo, não corresponde ao conteúdo bruto extraído do aparelho. A corporação já havia processado e classificado os arquivos em um formato chamado UFDR.
Essa diferença impede que os peritos comparem diretamente o material fornecido pela PF com os dados originais do celular. O laudo não comprova que alguém tenha adulterado os arquivos, mas também não descarta essa hipótese.
