Os fungos do gênero Ganoderma despertam o interesse de pesquisadores há décadas. Acontece que as suas espécies produzem compostos bioativos, como os beta-glucanos e os triterpenoides, que têm propriedades medicinais. Essas substâncias são investigadas por seus possíveis efeitos biológicos, e algumas delas já apresentaram resultados promissores em estudos envolvendo células tumorais cerebrais em ratos.
O problema é que muitos dos resultados farmacológicos atribuídos ao G. lucidum podem ter sido obtidos, na verdade, a partir de outras espécies, incluindo o G. lingzhi. Isso é o que revela um novo estudo, publicado nesta segunda-feira (26) na revista científica Plants, People, Planet. Segundo os pesquisadores, os fungos são semelhantes na aparência e compartilham nomes populares e científicos utilizados de maneira inconsistente, fator que nem sempre assegura com segurança qual organismo foi analisado nas pesquisas.
O problema é que essa confusão vai além dos prejuízos acadêmicos, ela também tem implicações econômicas. A identificação incorreta das espécies pode dificultar o controle de qualidade dos produtos comercializados, em destaque entre a indústria da medicina tradicional chinesa, estimada em cerca de US$ 271,14 bilhões.
A nível de comparação, é como se os estudos feitos fossem direcionados para o tratamento simultâneo de nós, seres humanos, e dos orangotangos.
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