Indígenas de Mato Grosso do Sul relatam a escalada das ameaças e da violência contra suas comunidades após o encerramento do 2º turno das eleições presidenciais, no domingo (25.out.2026).
Entre os ataques está o incêndio da casa da rezadeira de 90 anos Ñandesy Roberta, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande, na manhã de 5ª feira (29.out).
De acordo com a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), o incêndio foi criminoso e, além da casa da idosa, destruiu instrumentos sagrados usados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani, “representando uma grave violação não só aos direitos indígenas, mas também à liberdade religiosa”.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais nesta 6ª feira (30.out), um dos coordenadores da Apib, Voninho Guarani Kaiowá, afirma que os ataques e as ameaças contra as comunidades Guarani Kaiowá se intensificaram nos últimos dias.
“Repudiamos todos estes acontecimentos e cobramos de todas as autoridades [públicas] competentes que nos ajudem investigando as pessoas, para que os responsáveis sejam punidos na forma da lei”, disse Voninho.
Diante da gravidade dos relatos, o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) informaram que acionaram a Polícia Federal e estão acompanhando as denúncias de violência e ameaça contra os Guarani Kaiowá.
