Klinger Soares Faico Filho é professor de Clínica Médica e Medicina Laboratorial na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores. Vale a visita.
A República Democrática do Congo, na África Central, enfrenta o maior surto da espécie Bundibugyo do vírus Ebola já registrado. Até 25 de outubro, foram confirmados 10.060 casos e 4.887 mortes, segundo autoridades de saúde congolesas. De cada dois diagnósticos confirmados, um terminou em morte. Até o momento, é o segundo maior surto de Ebola em número de casos. Os casos se concentram no leste do país, perto das fronteiras com Uganda e Ruanda.
Na tentativa de obter novas ferramentas para conter o avanço da doença, na sexta-feira, 23 de outubro, começaram os testes com a vacina Ervebo, do laboratório farmacêutico Merck. Trata-se de uma vacina licenciada para prevenir a doença causada pelo vírus Ebola da espécie Zaire e sua eficácia contra Bundibugyo ainda é desconhecida.
Essa vacinação é o ponto de partida do estudo Tumaini, o primeiro ensaio clínico que avalia vacinas candidatas contra o vírus Bundibugyo. Se a Ervebo não proteger contra a espécie que está causando o surto, duas candidatas inéditas serão testadas em seguida.
O primeiro participante do novo ensaio recebeu uma dose dessa vacina em Bunia. Até 27 de outubro, quatro pessoas haviam tomado a vacina.
