Cerca de um ano depois da Carbono Oculto, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, diz que a operação foi uma escola. Segundo ele, o emaranhado de fundos da gestora Reag, alvo de busca e apreensão em agosto de 2025, gerou informações importantes para o órgão descobrir como funcionam as novas engrenagens da lavagem de dinheiro.
As diligências contra o dinheiro de origem possivelmente ilícita, inclusive com atuação do crime organizado, deixaram um know-how que agora permite ao Estado rastrear recursos de outras atividades ilícitas.
“A gente teve uma curva de aprendizado muito forte. A Carbono Oculto, eu diria que foi um trabalho quase que artesanal. O sistema aprendeu conosco, isso é ‘machine learning’. O próximo grande salto é automatizar isso”, afirmou ao Metrópoles.
Essa e outras histórias sobre os impactos e desdobramentos da Carbono Oculto no mercado financeiro estão na série especial do Metrópoles “Do canavial à Faria Lima”. O terceiro e último capítulo foi publicado nesta sexta-feira (30/10).
Entre os legados citados por Barreirinhas, está o e-BEF, formulário implantado pelo governo que obriga os fundos de investimento a revelar seus beneficiários finais. O conhecimento sobre a cadeia de fundos também ajudou a rastrear a rede de transações fraudulentas do Banco Master.
Para o presidente do Instituto Combustível Legal, Emerson Kapaz, a ligação é direta: sem a Reag aparecer na Carbono Oculto, não teria havido intervenção no Master.
