Quando alguém sofre uma picada, a indicação é levá-la imediatamente ao hospital mais próximo para que ela possa tomar o soro antiofídico, que neutraliza o veneno e impede a intoxicação. Mas, fora de regiões metropolitanas ou cidades, é comum que vítimas não consigam chegar a um hospital a tempo de receber medicação. Esta é uma realidade especialmente em regiões mais pobres do planeta, como a África Subsaariana, onde o risco de morte por eventos do tipo aumenta muito.
Por conta da dificuldade de acesso, também é quase impossível encontrar dados confiáveis sobre o número de mortes causadas por envenenamento causados por cobras no mundo. Prevendo uma possível crise de subnotificação, pesquisadores fizeram uma revisão na literatura e criaram um modelo estatístico para tentar entender a dimensão do problema a nível mundial. O estudo foi publicado na revista PLOS Medicine em agosto.
Dileepa Ediriweera, cientista de dados em saúde da Escola de Medicina Tropical de Liverpool, escreveu, em comunicado, que “mais da metade dos países onde cobras venenosas representam uma ameaça não registram quantas pessoas são picadas ou envenenadas”.
Estatística para driblar a subnotificação
Os cientistas usaram como referência um artigo liderado por Anuradhani Kasturiratne, publicado também da PLOS Medicine, de 2008. Para atualizar os dados dessa pesquisa, a equipe analisou dados de 79 países, revisando estudos publicados até 31 de março de 2025.
Mortes por picada de cobra podem chegar a 513 mil por ano, estima levantamento
