O Congresso tinha acabado de derrubar o veto de Lula ao PL da Dosimetria, em 30 de abril, quando a GloboNews entrou ao vivo do Salão Verde da Câmara com o líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). No meio da fala de Gilberto, um jovem surgiu atrás dele e gritou “Anistia é o caralho! Lula reeleito”.
Era Bernardo Moreira, 28 anos, secretário parlamentar de André Janones (Rede-MG). Cabo Gilberto o levou à delegacia da Polícia Legislativa, e a bancada do PL cobrou punição. Pressionado, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi ao plenário anunciar que demitiria o assessor.
Bernardo já estava exonerado quando Motta fez o anúncio. Ele havia pedido para sair do gabinete porque seria candidato a deputado distrital. Dias depois, lançou a pré-candidatura num vídeo irônico de “pedido de desculpas”.
Seis meses depois, o jovem que invadiu o ao vivo da GloboNews estava no centro da campanha de Lula. Quando Janones foi internado, Bernardo assumiu por dois dias o Exército do Lula e passou a distribuir as missões aos inscritos do canal no WhatsApp. Em uma live, Janones o chamou de um dos comandantes do Exército e disse que Bernardo está com ele o tempo todo.
Coube a Bernardo dar notícias do chefe à militância. Num vídeo, contou que Janones vinha havia cerca de 15 dias dormindo de duas a três horas por noite e comendo mal. “Como ele mesmo diz, não é fácil salvar a democracia”, disse.
