Por Mariana Caminha
A primeira viagem internacional prevista para Luiz Inácio Lula da Silva depois de sua reeleição tem um destino simbólico: Antalya, na Turquia. É lá, às margens do Mediterrâneo, que líderes mundiais se reunirão, entre 9 e 20 de novembro, para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP31. Poucas semanas depois de conquistar mais quatro anos no Palácio do Planalto, Lula deverá voltar ao palco da diplomacia climática internacional. Desta vez, porém, encontrará um cenário em que discursos e compromissos já não são suficientes.
A viagem carrega um significado que ultrapassa a agenda presidencial. Há um ano, o Brasil recebia o mundo em Belém, no coração da Amazônia, para a COP30. Agora, o país se prepara para entregar a presidência da conferência à Turquia, levando na bagagem tanto os avanços quanto as pendências de uma agenda climática que se tornou parte importante de sua política externa.
A reeleição de Lula representa, antes de tudo, continuidade. Desde seu retorno à Presidência, em 2023, o governo recolocou o combate ao desmatamento, a proteção da Amazônia e a cooperação internacional no centro de seu discurso ambiental. Reativou instrumentos de governança, retomou relações com parceiros internacionais e procurou reconstruir a imagem do Brasil como um ator relevante nas negociações sobre o clima.
Mas continuidade não significa ausência de contradições.
