Na noite de 30 de outubro de 1938, véspera de Halloween, quem sintonizou a rede CBS nos Estados Unidos encontrou o que parecia uma programação musical interrompida por plantões urgentes: os boletins falavam de explosões em Marte e de um objeto misterioso caído em uma fazenda de Nova Jersey.
Era teatro radiofônico: uma adaptação do romance A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, dirigida por Orson Welles, então com 23 anos. No dia seguinte, jornais de todo o país descreveram uma histeria coletiva por conta da transmissão.
Às vésperas de completar 88 anos, o episódio segue citado como exemplo do poder do áudio para enganar, mas a pesquisa histórica mostra uma versão bem menos dramática do que a lenda.
Um noticiário fictício sobre marcianos em Nova Jersey
A Guerra dos Mundos foi ao ar às 20h, no horário da Costa Leste, dentro da série “The Mercury Theatre on the Air”, que a CBS dedicava a adaptações de clássicos da literatura.
Em vez de encenar o romance como uma peça tradicional, Welles e o roteirista Howard Koch deslocaram a trama, ambientada na Inglaterra do fim do século 19, para a pequena Grover’s Mill, em Nova Jersey, e a apresentaram como cobertura jornalística ao vivo.
Repórteres descreviam a multidão diante de uma cratera, autoridades davam declarações e a transmissão era cortada nos momentos de maior tensão.
