O Centrão parece ter, diante de si, uma rara janela para realizar um antigo sonho do grupo: domar o bolsonarismo sem perder os votos fiéis a Jair Bolsonaro.
O cenário é o seguinte: Flávio Bolsonaro (PL) perdeu as eleições, está fora do país e pode ser, aos poucos, escanteado pelo próprio partido devido à radicalização do discurso.
Jair Bolsonaro está preso. E, mesmo que venha a ser solto, deverá continuar inelegível e enfrentando problemas de saúde. Os demais herdeiros do clã, por sua vez, carecem de estrutura para dominar o movimento.
Nesse cenário, o Centrão pode iniciar uma construção em duas frentes. A primeira seria garantir que o novo representante do bolsonarismo esteja alinhado ao Centrão. A segunda seria mudar as regras do jogo para devolver força aos partidos e reduzir a influência dos influenciadores.
Essa movimentação já começou na Câmara, onde o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) promete fazer avançar a proposta de reforma política que acaba com a votação 100% proporcional e institui o modelo distrital misto.
Dessa forma, o poder de puxadores de votos como Nikolas Ferreira (PL-MG) deve diminuir. Metade da bancada será eleita da forma antiga. A outra metade será escolhida pelo sistema distrital, no qual o desenho dos distritos poderá favorecer caciques e velhas estruturas partidárias.
