A decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de iniciar uma liderança política fora do Brasil gerou análises sobre os limites e os riscos dessa estratégia.
Para Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, ao WW, a iniciativa é calculada, mas enfrenta obstáculos estruturais significativos.
Poder exige presença física, diz especialista
O principal obstáculo apontado por Gabiati é a dificuldade de exercer influência política à distância. Para ele, o poder se constrói a partir de vínculos de confiança, e esses vínculos dependem de contato presencial.
“O poder se exerce a partir de vínculos de confiança, e a confiança só se constrói estando fisicamente e presencialmente para apertar uma mão e fechar um acordo”, declarou.
“Neste momento, eu duvido que o Flávio tenha essa capacidade”, completou.
Gabiati avalia que a movimentação não foi uma decisão isolada de Flávio, mas sim uma escolha negociada dentro do núcleo familiar.
“Isso aqui não foi só uma escolha do Flávio, foi uma escolha negociada com Jair e com Eduardo, talvez até com Carlos”, afirmou.
Segundo ele, esse grupo toma decisões em conjunto, ainda que nem sempre de forma plenamente racional.
O especialista também traçou um paralelo com a líder venezuelana María Corina Machado, que exerceu liderança política de fora de seu país.
No entanto, Gabiati fez questão de ressaltar que o Brasil está muito longe de ser uma Venezuela, apesar dos atritos institucionais existentes.
