Os chutes e giros bruscos do bebê durante a gestação não têm capacidade física de machucar ou lesionar os órgãos internos da mãe, embora possam causar desconforto e dores intensas na reta final do desenvolvimento fetal.
O corpo humano dispõe de um sistema anatômico de proteção composto por múltiplas camadas que absorvem e dissipam o impacto dos movimentos. Mesmo assim, o estiramento de tecidos sensíveis, as alterações hormonais e a redução do espaço abdominal no terceiro trimestre tornam a dor uma queixa frequente entre as grávidas.
A preservação da integridade física materna ocorre devido à atuação conjunta do líquido amniótico, das membranas, da parede muscular do útero e da camada abdominal.
A ginecologista e obstetra Marcelle Thimoti, esclarece que essa estrutura impede que a força exercida pelo feto atinja os órgãos de forma prejudicial.
“O líquido amniótico amortece o movimento do bebê e distribui a força do impacto. A parede do útero é muscular, elástica e resistente, e absorve boa parte da energia do chute. O resultado é que a força que chega aos demais órgãos é muito pequena”, explica.
Fatores de dor no terceiro trimestre
A sensação de dor se intensifica nos últimos meses de gravidez devido ao crescimento fetal e às transformações anatômicas necessárias para acomodar o feto. O aumento do útero comprime órgãos vizinhos, empurra o diafragma e força a abertura das costelas.
