O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal que seu celular se tornou uma “maldição” depois que mensagens extraídas do aparelho passaram a ser utilizadas na investigação das operações financeiras realizadas com o BRB (Banco de Brasília). A declaração foi feita durante depoimento em 15 de outubro. O conteúdo foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal nesta 5ª feira (29.out.2026).
Durante o depoimento, que durou cerca de duas horas, Vorcaro reclamou da interpretação dada pelos investigadores ao conteúdo de seu telefone. Segundo ele, as mensagens foram retiradas de contexto e ignoram a complexidade de seus negócios, que abrangem setores como mineração, investimentos e crédito.
O empresário sustentou que o crescimento da instituição e os problemas enfrentados pelo Master precisam ser analisados sob uma perspectiva mais ampla. Ele chegou a pedir para ser solto enquanto a investigação continuasse: “Não dá para fazer uma análise sem ver o filme todo. Vamos fazer uma perícia. Me solta, 1º, para não ficar esperando… Deixa eu esperar em casa para que não se cometa injustiça”.
A Polícia Federal aponta que o esquema envolveu o repasse de R$ 2,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB, emitidas pela Tirreno Consultoria -classificada pelos investigadores como empresa de fachada. Para a PF, os diálogos obtidos indicam que o fundador do Master tinha conhecimento das inconsistências.
