Carlo Ancelotti anunciou a última convocação da Seleção Brasileira em 2026. O grupo que enfrentará Japão e Singapura em novembro é jovem, experimental e claramente voltado à observação. Quinze jogadores têm menos de 23 anos, há cinco estreantes e a lista prioriza a renovação em detrimento de um time já consolidado.É o tipo de convocação que, no futebol amador, seria chamada simplesmente de peneira. E, neste momento específico, essa lógica ainda se sustenta. Estamos no pós-Copa. O ciclo acabou de recomeçar depois de um Mundial sem brilho.
A CBF precisa faturar cotas, evitar o risco de derrotas constrangedoras e dar ao treinador espaço para filtrar nomes sem pressão extrema de resultado. Japão é um adversário respeitável; Singapura funciona quase como um jogo de laboratório. Em 2026, esse modelo é aceitável. É o clássico período de observação institucionalizada que toda seleção faz logo após um Mundial.
O problema é que o futebol não oferece o luxo de um longo período de peneira. Historicamente, da primeira convocação de um ciclo (feita cerca de quatro anos antes da Copa), apenas algo em torno de 10 jogadores chegam ao Mundial seguinte. No ciclo que terminou agora, foram apenas sete da lista inicial de Ramon Menezes (contra o Marrocos, em 2023).
Em ciclos anteriores, o número costuma ficar entre 8 e 13.
