Após dois pregões seguidos de queda, em que acumulou baixa de 1,16%, o dólar apresentou alta firme nesta quinta-feira (29) e flertou com fechamento na casa de R$ 5,40. Além do ambiente externo de aversão ao risco, marcado por desvalorização de divisas latino-americanas, dúvidas sobre a disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em promover um ajuste fiscal pesaram sobre o real, segundo operadores.
“Vejo o mercado operando muito mais o quadro local que o externo nesta semana pós-eleição. O que todo mundo quer saber é como vai ser a política econômica e se vai ter ajuste fiscal”, afirma o gestor de portfólio da Azimut Brasil, Marcelo Bacelar. Diz também: “É natural o dólar estressar quando surgem declarações de pessoas próximas ao governo contra um ajuste, como vimos hoje [quinta-feira]”.
Em postagem hoje no X, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, descartou a possibilidade de corte de gastos sociais como caminho para o ajuste fiscal no Lula 4. “O ‘tesouraço’ foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular”, escreveu Boulos.
As máximas do dólar no início da tarde, quando a divisa atingiu o pico de R$ 5,4290, foram atribuídas por operadores à percepção de que as falas de Boulos representam a visão de uma ala dentro do Palácio do Planalto muito próxima ao presidente.
A febre compradora amainou na última hora do pregão, e o dólar passou a oscilar ao redor de R$ 5,40.
