Em 1984, há 42 anos, Amyr Klink se tornou a primeira pessoa a atravessar o Atlântico Sul a remo, da Namíbia à Bahia. Em sua primeira grande expedição como navegador, passou cem dias isolado entre o céu e o mar, remando cerca de 8 horas por dia. Sem internet ou GPS, calculava sua posição com base nas estrelas e só conseguia se comunicar por rádio poucas vezes por semana.
A preparação para a expedição foi tão difícil quanto a própria travessia. Primeiro, Amyr precisou desenvolver uma embarcação adaptada às suas necessidades: deveria ser leve para remar e, ao mesmo tempo, comportar os mantimentos e a água necessários para todo o percurso.
Além disso, o barco não poderia virar. Sozinho no oceano, uma capotagem terminaria em morte certeira. Ele projetou o barco com o engenheiro naval José Carlos Belford, que alertou que uma embarcação imune às capotadas é praticamente impossível. A solução foi construir um barco com um mecanismo que permitisse retornar sozinho à posição original após virar, como um “joão-bobo”. Durante a expedição, Amyr capotou três vezes na costa da África e, em todas, o barco se virou sozinho.
A alimentação também exigiu uma solução engenhosa, desenvolvida especialmente para a travessia. Amyr levou 275 litros de água e precisava limitar o consumo a menos de três litros por dia. Por isso, utilizou alimentos desidratados que podiam ser preparados com água do mar.
