A inadimplência das famílias nas operações de crédito livre atingiu 8,1% em setembro, o maior percentual da série histórica do Banco Central (BC). O indicador, que considera pagamentos com atraso superior a 90 dias, avançou 0,1 ponto percentual em relação a agosto, quando já havia alcançado um recorde. Entre as empresas, a taxa ficou estável em 6,6%.
As operações de crédito livre, segundo o BC, têm taxas de juros livremente pactuadas entre mutuários e instituições financeiras. Não inclui operações referenciadas em taxas regulamentadas, operações vinculadas a recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou quaisquer outras lastreadas em recursos compulsórios ou governamentais. Estas se incluem na categoria de crédito direcionado.
O endividamento das famílias também estabeleceu uma nova marca histórica. Em agosto, as dívidas com o sistema financeiro representavam 50,1% da renda acumulada em 12 meses, aumento de 0,2 ponto percentual sobre julho.
Os dados foram publicados nesta quinta-feira, 29, poucos dias depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O tema esteve presente na campanha eleitoral e motivou a elaboração de outra versão do Desenrola. O programa em preparação prevê a compra, pela União, de dívidas antigas de consumidores junto aos bancos, com estimativa de R$ 90 bilhões em operações passíveis de renegociação.
