Durante a COP30, em Belém, a conferência que reuniu o mundo para discutir o clima, um em cada quatro atendimentos nos ambulatórios do evento esteve ligado a pessoas sofrendo com o calor, segundo a pesquisadora Carla Mayumi. “As pessoas viveram, literalmente, na pele o que é o tema do evento”, disse a cofundadora da Talk Inc.
Para Carla, o episódio é símbolo de uma virada. Durante anos, sustentabilidade nas empresas foi sinônimo de mitigação: reduzir emissões, compensar carbono, publicar metas de longo prazo. Agora, além disso, entra em cena outra palavra. “Não é mais mitigar. Passamos do termo mitigar. Agora é adaptação”, afirmou.
A mudança está registrada nos próprios resultados da conferência. A decisão final da COP30 prevê triplicar o financiamento para adaptação nos países em desenvolvimento até 2035, e a presidência brasileira lançou, com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, um mutirão global contra o calor extremo. Para as marcas, sustenta Carla, a consequência é imediata: a crise climática deixa de ser assunto só do relatório anual de ESG e passa a definir o que se vende, quando, onde e como.
Para mostrar isso, ela apresentou o estudo “Fora da Estação”, feito pela Talk, com dezenas de exemplos de empresas que já estão se adaptando. A seguir, os principais.
O custo humano do calor
O ponto de partida é a dimensão social da crise.
