O jurista Ives Gandra, que votou em Flávio Bolsonaro (PL) para chefiar o Palácio do Planalto, defendeu o resultado das urnas eletrônicas após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas disse à CNN Brasil que o STF (Supremo Tribunal Eleitoral) interferiu nas eleições.
Na avaliação do advogado, a Corte tomou decisões monocráticas que cabiam ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e, com isso, violou a Constituição de 1988.
Uma das decisões diz respeito ao despacho do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação das 17h para as 19h, após relatos de dificuldade no transporte público em capitais como São Paulo e Salvador.
“Houve uma interferência do Supremo Tribunal Federal […] quase sempre de forma monocrática e não colegiada, e, com essa interferência, não se sabe avaliar qual foi o impacto em relação às eleições”, afirmou à CNN Brasil.
Gandra ainda afirmou que Flávio Bolsonaro errou ao se autodeclarar presidente do Brasil após a derrota nas urnas. “Ele [Flávio] fez um erro em dizer que era o presidente eleito. […] O povo votou no presidente Lula, mas de rigor, depois ele corrigiu, o que fez bem”, completou.
Para o jurista, Flávio “acertou no sentido de sair do Brasil“, porque “vai continuar com a liberdade de poder dizer o que pensa sobre o que está acontecendo”.
