Em 1905, o sociólogo Max Weber publicava a obra seminal A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Nele, Weber dissecou a pregação moral protestante e seus reflexos na conduta pessoal dos crentes, a qual ele associou à formação das bases filosóficas do capitalismo moderno: a ética que trata o ganho metódico como dever moral ligado à vocação.
A lição weberiana ensinou como a moral conforma o ethos (o modo de vida) e como os valores moldam o mundo, visto que orientam as decisões do ser humano. Pois o kosmos (mundo) é isso: a natureza humanizada pela soma das decisões dos indivíduos.
E, se isso serve para explicar parte da história universal como gênero, também é útil para compreender parcela da recente história brasileira como espécie.
Pois bem; nos últimos 40 anos, o Brasil vivenciou a mais profunda e rápida mudança social de sua história, com a ascensão meteórica do protestantismo evangélico de matiz pentecostal, filho direto do metodismo ascético estudado por Weber.
Explico: nesse período, os evangélicos saltaram de apenas 6% para 31% da população brasileira, mudando o eixo da moralidade nacional.
Dessa forma, valores tipicamente conservadores como prudência, continuidade, liberdade e responsabilidade pessoais começaram a ser centrais para um terço da população, criando as bases para o nascimento do conservadorismo popular contemporâneo no Brasil, dada a manifesta identidade de valores.
