O seu celular recebe áudios, prints e vídeos "que provam tudo" com mais frequência do que você consegue ouvir. Muitos chegam pelo grupo da família, repassados por alguém que você ama e que acredita estar ajudando.
Antes de seguir, uma pergunta. Quando foi a última vez que você mudou de opinião porque leu algo longo, com calma, e não porque um vídeo de trinta segundos te deixou irritado? Se a resposta demorou a vir, você não está sozinho. É justamente nesse espaço, entre o clip e a reflexão, que acontece o que especialistas em defesa chamam de guerra cognitiva.
Não vou escolher um lado aqui. Quero fazer outra coisa: dar nome ao fenômeno, mostrar como ele funciona e sugerir um método simples para você não ser um alvo fácil.
O que é, afinal, guerra cognitiva
O termo parece exagerado, mas não foi inventado por blogueiro. A OTAN tem um programa inteiro sobre o tema e resume assim: o cérebro é ao mesmo tempo o alvo e a arma (NATO ACT). Guerra cognitiva inclui propaganda e fake news, mas vai além das duas.
O ponto central aparece com clareza numa entrevista com Shawn Chenoweth sobre vantagem cognitiva. O objetivo de uma campanha dessas não é só mexer com o que você sente. É mudar o que você faz: compartilhar, boicotar, votar de determinado jeito, atrasar uma decisão ou simplesmente desistir de participar.
Outra conversa, sobre a disputa silenciosa entre Rússia, China, Irã e o Ocidente, completa o raciocínio. O prêmio é a autonomia de decisão de um país.
