A arroba do boi gordo continua subindo. No fechamento de 28 de outubro, o indicador Cepea/Esalq para São Paulo chegou a R$ 389,05 à vista.
Para o pecuarista, é uma notícia que melhora a receita da venda. Mas exige atenção à próxima compra e ao que acontece fora da porteira.
O que me preocupa é transformar uma alta sustentada por fundamentos em certeza de valorização sem limite. A produção tem seu tempo. O consumidor tem seu orçamento. E o preço precisa encontrar espaço entre os dois.
Para entender esse encontro, precisamos voltar à origem do animal que chega hoje ao frigorífico.
O abate elevado de fêmeas ajuda a explicar o ciclo. Quando uma matriz vai para o abate, coloca carne no mercado naquele momento, mas deixa de produzir os bezerros dos anos seguintes. O alívio imediato pode cobrar seu preço mais adiante.
Com a reposição disputada, o bezerro se valoriza. Em Mato Grosso do Sul, o indicador do Cepea chegou a R$ 3.531,90 por cabeça em 27 de outubro, alta de 15,2% sobre o encerramento de 2025, segundo levantamento do Farmnews.
Quem compra esse animal ainda precisa atravessar a recria e a engorda, pagando alimentação, manejo, sanidade e o custo do dinheiro.
A receita vem depois. E ninguém garante que o preço da venda compensará toda essa conta.
Também é preciso olhar com cuidado para o calendário. O bezerro que encarece hoje não explica, sozinho, a falta de boi pronto agora.
