Hoje é difícil imaginar que a seleção seria recebida com festa por ter conquistado o terceiro lugar de uma Copa. O mundial de 1938, na França, estreitou a relação entre a torcida e a equipe nacional. Em 1930, no Uruguai, e em 1934, na Itália, o bairrismo e a vaidade da cartolagem do Rio de Janeiro e de São Paulo prejudicaram o desempenho da seleção, que não pôde contar com os melhores atletas.
Mas a história mudou a partir de 1938. Os desentendimentos foram superados e, finalmente, os grandes jogadores da época puderam ser convocados. Outra diferença foi o apoio que a equipe recebeu do governo do país, comandado por Getúlio Vargas. A ditadura do Estado Novo lançou a “Campanha do Selo” para arrecadar recursos visando bancar a seleção na Europa. O slogan era: “Auxiliar o scratch é dever de todo brasileiro”.
O que também fez toda a diferença para que o interesse da torcida pela participação da seleção aumentasse foi a transmissão das partidas pelo rádio. Pela primeira vez, a população ouviu ao vivo os duelos da Copa. Coube ao pernambucano Leonardo Gagliano Neto fazer a irradiação diretamente da França.
Na volta para casa, parecia um carnaval em pleno mês de julho. Foi uma festa jamais vista nas ruas do Rio de Janeiro. Milhares de torcedores recepcionaram os atletas, como Leônidas da Silva, que conquistaram uma façanha inédita. O Jornal dos Sports destacou: “Foi uma coisa louca!
