Recado das urnas
Lula e seus aliados ainda comemoram a grande vitória de domingo. E têm bons motivos para isso. Foi uma virada histórica, que muita gente, inclusive dentro do PT, julgava improvável.
Mas, passada a euforia, é hora de olhar com atenção para o que aconteceu nas urnas. Se o presidente não entender por que venceu, corre o risco de atravessar mais um mandato sem conseguir fazer o governo que deseja - e que o país espera.
Lula não ganhou apenas pelo carisma que o acompanha há décadas, muito menos pelos resultados de sua atuação recente. Ele não triunfou pelo conjunto da obra. Ganhou porque, do outro lado, estava um candidato ainda mais rejeitado. Se a direita tivesse escolhido um nome com menos fragilidades que Flávio Bolsonaro, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o desfecho poderia ter sido outro.
Mais do que votar em Lula, uma parcela decisiva dos brasileiros votou contra a volta dos Bolsonaros ao poder.
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É justamente aí que Lula precisa mostrar que aprendeu alguma coisa. A nova gestão exige mudança de rumo, responsabilidade fiscal, revisão de gastos e propostas capazes de responder aos problemas concretos da população.
É necessário, também, que deixe de governar olhando apenas para o próprio partido.
Prometer mudar é fácil. Difícil é ter coragem de rever escolhas, reconhecer erros e fazer as coisas de outro jeito.
Agora, aos 81 anos, Lula tem a última oportunidade de mostrar que aprendeu com os próprios erros.
