Coube a Carlos Bolsonaro dizer, entre lágrimas, a frase que o resto do clã evita: “desculpa, pai, a gente falhou”. É o mais sincero dos irmãos, e mesmo assim parou no meio da confissão. O pedido de perdão tinha um único destinatário, e não era o brasileiro.
E o país tem motivos de sobra para cobrar. A família não falhou só no domingo (25), quando Flávio perdeu a eleição presidencial. A falha vem de longe e tem vítimas com nome, CPF e atestado de óbito.
A vacina que não veio
Em 2020, enquanto o mundo corria atrás de imunizantes, ofertas da Pfizer ficaram sem resposta no governo Jair Bolsonaro. A CPI da Covid mostrou o descaso. Mostrou também a pressa suspeita na negociação da Covaxin, vacina mais cara e sem aval da Anvisa. O presidente receitava cloroquina, desdenhava das máscaras e dizia que não era coveiro. O Brasil passou de 700 mil mortos. Não há campanha eleitoral capaz de apagar esse número.
O preconceito como método
Bolsonaro construiu a carreira ofendendo. Disse preferir um filho morto a um filho gay. Mediu quilombolas em arrobas. Foi condenado por dizer a uma deputada que ela não merecia ser estuprada. Os filhos herdaram o sobrenome e o repertório, e o eleitor que eles precisavam conquistar se lembrou disso.
A fábrica de mentiras
