Acusado de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), o grupo criminoso liderado por Mohamad Murad, o Primo, e Roberto Leme, o Beto Louco, usa um esquema classificado por investigadores como “empresas-espelho” para facilitar fraudes tributárias.
A engenharia funciona assim: abre-se um negócio em determinado endereço. Meses depois, abre-se outra no mesmo endereço, com capital social maior. Aparentemente, o estabelecimento funciona de forma regular, mas o cliente nunca sabe para qual das empresas está pagando. A fraude fiscal é concentrada em um dos negócios e, quando a Receita acende alerta para os débitos tributários de um CNPJ, todo o faturamento migra para a outra empresa de capital maior.
Isso ocorre, por exemplo, em padarias de São Paulo. A padaria Iracema, na Avenida Angélica, região central da capital paulista, foi comprada pelo grupo, primeiro em nome de uma laranja que mora em Sergipe. Depois, em passou para o nome de Tharek Majide Bannout, uma espécie de “agregado” da família de um dos líderes do grupo crimonoso. A irmã de Tharek é casada com um advogado que vem a ser primo de Mohamad Mourad.
A reportagem visitou a padaria em 21 de setembro e comprou cafezinhos no débito e no crédito: em cada nota solicitada, apareceu um CNPJ diferente. Um mês depois, o Metrópoles retornou à padaria e um terceiro CNPJ surgiu.
As defesas de Primo e Beto Louco negam qualquer elo com o PCC (veja notas na íntegra abaixo). O advogado de Tharek não quis se manifestar.
