O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 2,1 milhões de votos a mais do 1º para o 2º turno nas cidades em que há mais beneficiários do Bolsa Família do que pessoas com Carteira de Trabalho assinada. Esse acréscimo foi quase metade da vantagem de 4,4 milhões de apoios que o petista teve sobre Flávio Bolsonaro (PL) para vencer a disputa presidencial.
O Brasil tem 5.569 cidades. Em 2.647, há mais famílias no programa social que em empregos formais. A 17 dias do 1º turno, Lula anunciou um aumento de 15% no valor do benefício. Os pagamentos reajustados seriam feitos até o final de outubro, mas o Planalto decidiu antecipar tudo para antes da votação. Além disso, enviou milhões de mensagens via WhatsApp para quem recebe auxílio. O total de famílias cadastradas é de 19,3 milhões.
No 1º turno, Flávio havia tido 32,14% dos votos válidos nesses municípios mais dependentes do Bolsa Família. Na 2ª rodada, conseguiu só 31,88%, uma queda de 0,26 ponto percentual. Lula subiu de 62,97% para 68,12%.
Em números absolutos: o atual presidente levou 18,4 milhões dos 29,3 milhões de votos válidos nessas cidades no 1º turno. Na 2ª volta, cresceu para 20,5 milhões de apoios no total.
Flávio saiu de 9,4 milhões para 9,6 milhões de votos nesse recorte, alta de 195 mil. Como houve queda da abstenção, de 20,1% para 19,4%, o senador ficou praticamente estagnado em termos percentuais e os novos apoios foram quase todos para o PT.
