Manifestantes protestam em apoio à comunidade universitária argentina, exigindo mais verbas e uma remuneração digna para o setor, além de se manifestarem contra o governo do presidente Javier Milei, em Buenos Aires, Argentina.
Pedro Lazaro Fernandez/Reuters
Gustavo Raul Perez franze a testa enquanto faz anotações em um caderno na loja de materiais de construção que administra há seis anos nos arredores de Buenos Aires, na Argentina.
Desde que Javier Milei assumiu a Presidência do país, em 2023, com o voto de Perez, as reformas econômicas aceleradas de seu governo conquistaram investidores e elogios do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Para o comerciante, porém, os efeitos mais sentidos são os custos mais altos e a perda de poder de compra dos clientes.
“Este plano econômico é para poucos”, afirma Perez.
A inflação argentina caiu de quase 300% para cerca de 33%, as importações foram ampliadas e os subsídios diminuíram. Apesar disso, o custo para Perez recompor os estoques da loja triplicou, enquanto seus clientes têm menos dinheiro para gastar.
“Havia uma classe média três anos atrás. Ela não existe mais”, diz.
A experiência do comerciante reflete uma contradição que se espalha por economias emergentes: as reformas que recuperaram a confiança dos investidores e ajudaram a estabilizar as contas públicas ainda não melhoraram as condições de vida de uma parcela significativa da população.
Economia melhora, mas população empobrece: por que reformas geram insatisfação em países emergentes?
