A ideia de voltar a estudar depois dos 60 anos pode parecer distante para alguns estudantes devido ao tempo longe das salas de aula e às dificuldades ligadas à tecnologia. Mas dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que o número de pessoas com 50 anos ou mais que ingressaram no ensino superior brasileiro passou de 58,4 mil, em 2015, para 211,2 mil, em 2024, um crescimento de 262% na década.
Entre os cuidados com a casa, a família e os netos, que começaram a ir para a escola, o sentimento de não ter mais atividades para fazer e a busca por ressignificar essa nova fase da vida levaram a tecnóloga em Segurança da Informação Anne Maria Alencar, de 63 anos, a voltar para dentro de uma sala de aula.
Ao Metrópoles, ela contou que fez a primeira faculdade nos anos 1980 e que o curso escolhido foi Psicologia, em uma instituição particular, mas não conseguiu concluí-lo devido à maternidade na época.
“Depois, com as filhas crescidas, eu fiz Tecnologia em Segurança da Informação. Mudei totalmente para a área de informática, que eu amava. [Depois] me aposentei e não tinha mais nada que fazer. Os netos cresceram, e eu fiquei tomando conta deles durante um tempo. Quando foram para a escola, fiquei sem fazer nada”, disse.
No segundo semestre de 2024, ela decidiu fazer o vestibular 60+ da Universidade de Brasília (UnB), um processo seletivo para vagas extraordinárias destinadas a pessoas idosas.
