A futura abertura de capital da Anthropic pode aumentar a pressão por transparência financeira e resultados concretos no setor de inteligência artificial (IA). Para executivos de startups e especialistas ouvidos sobre o tema, a estreia na bolsa pode ajudar investidores a avaliar se o avanço tecnológico dessas empresas é acompanhado por modelos de negócios sustentáveis.
A Anthropic, responsável pelo Claude, é apontada como uma das candidatas a protagonizar uma das grandes estreias do setor no mercado de capitais. A empresa registrou receita de US$ 16,3 bilhões (R$ 87,1 bilhões) no primeiro semestre de 2026, mas também enfrenta questionamentos sobre custos e riscos associados ao desenvolvimento da tecnologia.
Para Allan Miranda, CEO da startup Luria, o movimento representa mudança de fase para a indústria. Mais do que demonstrar a maturidade tecnológica do setor, a abertura de capital pode evidenciar a diferença entre desenvolver modelos avançados e construir negócios capazes de se sustentar no longo prazo.
“Até aqui, boa parte das avaliações esteve associada à evolução dos modelos, à capacidade computacional e às expectativas de crescimento”, afirma Miranda. Com a chegada dessas empresas ao mercado de capitais, ele avalia que indicadores, como receita recorrente, eficiência operacional, margens e valor entregue aos clientes, devem ganhar importância.
O executivo também destaca que o diferencial competitivo não estará apenas na criação de modelos cada vez mais poderosos.
