Flávio Bolsonaro divulgou nesta quarta, lá dos EUA, uma carta que não reconhece o resultado da eleição presidencial. Lula foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% dele próprio. O texto tem a mesma essência golpista da pauta do pai: derrota é fraude, e o juiz é perseguidor. Se ainda faltassem motivos, cai a máscara do “Bolsonaro vacinado”, aquele que seria a versão civilizada da família. Flávio chegou a dizer que aceitaria o veredito das urnas. E deixou o país menos de 24 horas depois de afirmar que ficaria para liderar a oposição. A hidrofobia política é a mesma, sem o, vá lá, “carisma” do original…
Tudo na carta está errado, a começar pelo timbre. A primeira versão trazia um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com “Z”, em vez de “República Federativa do Brasil”. O país deixou de ter aquele nome em 1967, e o “Z” já havia sido aposentado da ortografia oficial décadas antes.
Segundo a coluna de Paulo Cappelli, um aliado pediu ao ChatGPT que acrescentasse o brasão, e a máquina entregou o modelo antigo. O valentão que prometia salvar a pátria terceirizou o símbolo nacional a um robô e não conferiu o serviço. O texto circulou em três edições em menos de uma hora. Na primeira, ele se apresentava como “presidente eleito”. Só na seguinte virou “líder do Brasil”. Eleito por quem, cara-pálida? O PL, o seu partido, já havia reconhecido a vitória de Lula na segunda.
No extremo da sandice, comparou-se a De Gaulle no exílio.
