A carta que Flávio Bolsonaro publicou nesta quarta-feira (28/10) não traz nenhum fato novo e muitas mentiras. A derrota para Lula já estava proclamada desde domingo. A ida para os Estados Unidos já era conhecida. A ordem de Alexandre de Moraes para que entregasse o passaporte também. Mesmo assim, em poucas horas, os principais sites do país estampavam a mesma frase na manchete, “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A expressão é do próprio senador.
É assim que o texto funciona. Puro marketing da mentira a começar do brasão com Brazil com z. Cada parágrafo foi escrito para virar notícia, mesmo quando não se tem o que noticiar.
O título como isca
O cargo de “presidente eleito” é um ato do TSE, e o TSE proclamou Lula com 51,79% dos votos válidos. Ao se dar o título, Flávio cria uma frase que a imprensa precisa reproduzir, nem que seja para contestá-la. A manchete repete o título. A correção vem depois, no corpo do texto, lida por bem menos gente.
A acusação apoiada na própria palavra
Sobre Moraes, a carta afirma que o ministro está implicado num “imenso escândalo de corrupção” e que “muito provavelmente estaria preso” se Flávio tivesse tomado posse. Fica tudo na afirmação. Uma acusação desse tamanho gera reação do tribunal, de aliados e de adversários, e cada reação vira nova notícia. É o que ele deseja. Tentar controlar uma narrativa.
