O Bradesco elevou de 11,69% para 15% ao ano os juros mínimos do financiamento para a casa própria para a maioria dos clientes, acrescidos da TR (Taxa Referencial). O aumento de 3,31 pontos percentuais pode reduzir a capacidade de compra das famílias e dificultar as vendas de imóveis.
Para dimensionar esse efeito, um levantamento da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras) indica que o aumento de cada ponto percentual nas taxas de juros retira, em média, 160 mil famílias do mercado de financiamento imobiliário.
A mudança foi comunicada a parceiros do setor imobiliário e coloca as taxas mínimas do banco acima das referências anunciadas por concorrentes como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Santander e Itaú. Para clientes do segmento Private, destinado a pessoas com patrimônio superior a R$ 10 milhões, os juros mínimos passaram de 11,45% para 13,6% ao ano, também mais TR.
Para especialistas ouvidos pelo Poder360, a alta dos juros futuros, associada à preocupação com as contas públicas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleva o custo de captação dos bancos. A menor atratividade da poupança também reduz a disponibilidade de recursos para financiar imóveis. Nesse cenário, outras instituições podem rever suas taxas de crédito.
Segundo Paulo Prado, cofundador da MySide e especialista em crédito imobiliário, o Bradesco pode ter adotado uma postura mais defensiva diante das incertezas econômicas.
