A arroba do boi gordo ultrapassou o patamar de R$ 400 na B3, a bolsa de valores brasileira. Nesta terça-feira (27), os ganhos foram renovados com o contrato para dezembro cotado a R$ 402. As cotações dos contratos futuros, no entanto, não refletem necessariamente os preços praticados de forma generalizada no mercado físico, onde ocorrem as negociações de animais para abate.
Segundo o coordenador de inteligência de mercado da consultoria Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o cenário de demanda aquecida e o ambiente de forte restrição de oferta ajudam a explicar essa alta na bolsa. Para ele, a perspectiva de aumento das compras por parte da China se destaca entre os agentes de mercado.
“Os contratos com vencimento até fevereiro, todos acima de R$ 400 por arroba, refletem principalmente a expectativa de forte demanda chinesa”, afirma Iglesias.
A disponibilidade de animais é outro motivo por trás das altas cotações dos contratos com vencimento nos primeiros meses de 2027. Felipe Fabbri, consultor de mercado da Scot Consultoria, esclarece que a redução do abate de fêmeas e a menor ocupação dos confinamentos diminuem a oferta de bovinos terminados no mercado.
“Fêmea já está sendo retida para a produção de bezerro. Ou melhor, tem fêmea, mas um volume menor do que há um ano atrás”, diz Fabbri.
Ele explica também que, historicamente, o pecuarista tende a ter maior poder de negociação no primeiro semestre, quando as condições das pastagens podem favorecer a retenção de animais.
