O setor de soja do Brasil teme que as novas regulamentações da União Europeia contra o desmatamento (EUDR) possam reduzir as exportações de farelo de soja para o bloco, abrindo espaço para a Argentina, fornecedora concorrente, que afirma estar em melhor posição para cumprir as novas regras.
O Brasil é o maior fornecedor de farelo de soja para ração animal da UE, respondendo por cerca de metade das importações do bloco no ano passado, segundo dados da Federação Europeia de Fabricantes de Ração (FEFAC). O Brasil exportou um volume recorde de 23,3 milhões de toneladas métricas de farelo de soja em 2025.
A partir de 30 de dezembro, o EUDR exigirá que os importadores comprovem que seus produtos não estão vinculados a terras desmatadas, com penalidades significativas em caso de descumprimento.
No Brasil, extensas áreas agrícolas nos Estados do centro e do nordeste do país foram desenvolvidas em ecossistemas desmatados nas últimas décadas, enquanto as principais áreas agrícolas da Argentina estão espalhadas pelas vastas planícies dos Pampas, onde os agricultores produzem há mais de um século.
O EUDR está causando alarme no setor agrícola brasileiro, com a FEFAC alertando que os requisitos de rastreabilidade previstos nas regras poderiam excluir até 4 milhões de toneladas de farelo de soja, cerca de 17% do total das exportações.
