O processo aberto pela ANPD contra a Claro, envolvendo o compartilhamento de dados de clientes com a Serasa, levanta uma discussão importante: o problema não está no compartilhamento de dados, mas na ausência de finalidade, necessidade, transparência e governança. Diante disso, fica a pergunta: se a ANPD pedisse amanhã que sua empresa explicasse todos os compartilhamentos de dados realizados nos últimos anos, você conseguiria responder? A lição para as empresas de telecom é clara: mais do que cumprir a LGPD, é preciso integrar privacidade às decisões comerciais e conseguir comprovar, documentalmente, que os dados estão sob controle.
O caso Claro e Serasa: o que aconteceu?
Segundo fontes públicas da Agência Nacional de Proteção de Dados - ANPD, a Claro mantinha um contrato com a Serasa Experian para fornecer dados de clientes de telefonia fixa, móvel, TV por assinatura e transmissão de dados, sendo tais dados utilizados pela Serasa para desenvolver soluções de análise de crédito e prevenção a fraudes e, como contrapartida, a Claro recebia acesso a essas tecnologias, além de remuneração financeira.
