Nesta quarta (28/10), às 11h59, esta coluna informou que a Polícia Federal não tinha registro da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. A informação é importante para entender a manobra: enquanto se dizia que ele já estava em voo para os Estados Unidos, o trajeto divulgado depois mostrou outra cronologia.
Segundo o governo argentino, Flávio entrou no país apenas às 22h50 de ontem. De lá, seguiu para o Equador. Só na manhã desta quarta-feira o avião que o transportaria partiu em direção aos Estados Unidos. A diferença entre as versões espalhadas e o percurso conhecido sugere uma grande operação para despistar as autoridades brasileiras.
Flávio não é um perseguido político. Há suspeitas concretas sob investigação. Como a coluna mostrou ontem, a PF suspeita que sua relação com o advogado Willer Tomaz vá além da amizade. Até maio de 2025, o senador tinha acesso de usuário master a uma conta da Alcazar, holding de Willer na Ilha da Madeira, um poder que, para os investigadores, é típico de sócio.
No inquérito sobre lavagem de dinheiro com apostas, Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado, a quebra de seus sigilos e a suspensão de suas empresas. O ministro também proibiu Flávio de deixar o país e de manter contato com Willer, diretamente ou por terceiros. Ambos negam irregularidades.
