Agendas disputadas, assessores que filtram pedidos, receio de exposição e desconfiança em relação às universidades e às ciências sociais. Essas são algumas das barreiras enfrentadas por quem precisa entrevistar parlamentares, diplomatas, empresários, militares ou integrantes de organizações políticas. Por causa disso, informações relevantes para a sociedade que não aparecem nos registros públicos de instituições como a Câmara e o Senado permanecem nas entrelinhas das relações entre grupos dominantes que concentram prestígio e poder.
Ao estudar elites políticas e sociais, pesquisadores procuram descobrir que atores influenciam as decisões e em que espaços essas articulações ocorrem. “O estudo das elites permite ir além do campo clássico da ciência política institucional e chegar à esfera concreta da decisão”, explica Reginaldo Mattar Nasser, professor do Departamento de Relações Internacionais na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). O problema é que quem detém informação e poder costuma também estar entre os que mais se esquivam de responder a pesquisas.
Quando as recusas se acumulam em determinados perfis, a dificuldade pode alterar o retrato produzido pelo levantamento. Por isso, estudar elites exige não só planejar o que perguntar, mas definir as características do entrevistado, saber como conquistar sua confiança e avaliar os limites das respostas obtidas.
