A falta de navios especializados no transporte de veículos tem limitado a chegada de carros elétricos chineses ao Brasil e provocado filas de espera em concessionárias. Em outubro de 2026, compradores do Geely EX2 encontravam prazos de entrega previstos para dezembro, enquanto concessionárias da BYD informavam espera de aproximadamente 30 dias pelo Dolphin.
O cenário expõe um desafio para empresas em expansão: a capacidade de atender à demanda depende também da disponibilidade dos recursos necessários para levar o produto até o consumidor.
Dois modelos explicam a queda
O problema logístico teve reflexo nos emplacamentos. Em setembro, as vendas de carros 100% elétricos no Brasil caíram 18,1%, de 27.166 para 22.246 unidades, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) citados pelo UOL. A retração foi puxada principalmente pelo Geely EX2, cujos emplacamentos recuaram 53,1%, e pelo BYD Dolphin, com queda de 38,7% no período. Juntos, os modelos registraram 5.688 emplacamentos a menos. Sem eles, o restante do segmento teria avançado 5,3%.
A redução, portanto, não significou necessariamente perda de interesse dos consumidores. A disponibilidade limitada de veículos importados contribuiu para o resultado, mostrando como problemas de abastecimento podem impedir que empresas convertam a procura em vendas efetivas.
