Depois do rosto, o corpo. O emagrecimento com agonistas de GLP-1 (tirzepatida e equivalentes) devolveu saúde metabólica a milhões de pessoas e, junto com ela, trouxe uma queixa que passei a ouvir com frequência dos meus pacientes: o glúteo que esvaziou mais rápido do que a pele conseguiu acompanhar. O fenômeno já tem nome na mídia. Depois do Ozempic face, chegou o Ozempic butt e, com a tirzepatida, a variação que pacientes chamam de bumbum Mounjaro.
Não é um efeito exclusivo de uma marca. É o que acontece quando se perde volume depressa demais numa região cujo contorno depende, ao mesmo tempo, de coxins de gordura, de músculo e de pele capaz de retrair.
O que some, de fato
O glúteo não é só gordura. A projeção e a firmeza vêm dos músculos glúteo máximo, médio e mínimo e da camada de gordura subcutânea que cobre essa musculatura. As canetas reduzem o apetite e o consumo calórico. O corpo queima reservas de gordura, mas também perde massa magra.
Na prática, o efeito visual é desproporcional. A gordura glútea some sem que se possa escolher de onde. O músculo, se não for protegido por proteína e treino de força, encolhe e tira a base sobre a qual o contorno se apoiava. A pele não retrai na mesma velocidade. O resultado é um glúteo mais baixo, mais plano, com prega acentuada na transição com a coxa e pele que sobra onde antes havia volume.
