Passada a eleição, Lula precisa conduzir uma transição dentro do próprio governo. A passagem do terceiro para o quarto mandato exige uma revisão da política econômica. A continuidade do presidente não pode significar adiar, por mais quatro anos, o enfrentamento dos problemas que limitam o crescimento do Brasil.
Na minha avaliação, essa deveria ser a prioridade deste período: apresentar um plano que dê sustentação às promessas sociais feitas na campanha. Para continuar atendendo quem precisa do Estado, o governo terá de explicar como vai financiar seus compromissos e abrir espaço para o país investir.
Esse plano precisa nascer de um entendimento com o Congresso Nacional. As eleições ampliaram a presença da direita no Legislativo que assumirá em 2027.
Lula terá de reconhecer essa composição e negociar uma agenda econômica que também incorpore prioridades dessas bancadas, como eficiência do Estado, controle das despesas e estímulo à iniciativa privada. [6]
Defendo um pacto público, formalizado entre o Executivo e as lideranças dispostas a sustentá-lo, com medidas, prazos e compromissos de votação. Cada mudança terá de passar pela aprovação legislativa correspondente. O objetivo é dar ao programa uma base política que permita executá-lo e cobrar seus resultados.
