São Paulo, Em uma das eleições mais polarizadas da história brasileira, a Avenida Paulista foi palco de uma das maiores manifestações desde as “Diretas Já”, levando às ruas cerca de 2 milhões de brasileiros no último sábado (26/10). Entre bandeiras vermelhas, cartazes provocativos e gritos estudantis, diferentes setores sociais se reuniram em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. O ato antecedeu uma reviravolta eleitoral, que reelegeu Lula com uma diferença de 4,4 milhões de votos de seu opositor, Flávio Bolsonaro (PL).
A vitória do petista se torna ainda mais curiosa quando analisamos o contexto internacional e a maré de extrema-direita na América Latina. Países como a Colômbia também passaram por eleições muito acirradas entre partidos progressistas e conservadores. No entanto, o resultado foi diferente: Iván Cepeda, candidato esquerdista, perdeu as eleições à presidência para Abelardo De La Espriella, candidato da direita radical, por uma diferença de cerca de 25o mil votos.
O Brasil escolheu seguir em direção contrária à conjuntura latino-americana, até do previsto pelas grandes pesquisas eleitorais que apontavam, em sua maioria, Flávio à frente, mesmo em um cenário desfavorável ao campo progressista. Nesse contexto, surge o questionamento: qual fator foi essencial para a vitória de Lula, que freou o avanço direitista radical no continente?
