O prato pode até ficar menor. A responsabilidade sobre o que vai dentro dele, não. A popularização das chamadas canetas emagrecedoras está mudando não apenas a balança, mas a relação dos usuários com a comida. Nesse cenário, porções que antes pareciam comuns podem se tornar grandes demais. Alimentos muito gordurosos podem perder espaço, e aquilo que cabe em uma refeição passa a ser escolhido com mais atenção.
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva realizada com 1.004 brasileiros, ajuda a dimensionar o fenômeno. Seis em cada dez entrevistados (o equivalente a 62%) disseram conhecer alguém que usa ou já usou as canetas. Em 33% dos domicílios havia pelo menos uma pessoa com experiência com os medicamentos; 24% dos participantes afirmaram já tê-los utilizado e 11% eram usuários no momento do levantamento.
Outro estudo, realizado pela Galunion com 1.020 consumidores, encontrou uma mudança que vai além do uso do medicamento. Entre aqueles que utilizavam ou já haviam utilizado tratamentos à base de GLP-1, 91% disseram ter alterado os hábitos quando comem fora de casa. Mais da metade passou a pedir porções menores ou comer menos; 50% evitam opções muito gordurosas, 41% procuram pratos mais leves e 35% afirmaram priorizar alimentos com mais proteína.
Essas mudanças ajudam a explicar por que palavras como proteína, fibras e hidratação passaram a ganhar espaço em uma conversa que, durante muito tempo, ficou concentrada apenas na perda de peso.
