Até meados da década de 1950, nossos avós consumiam um tipo de banana muito diferente da que conhecemos hoje. Nas prateleiras dos supermercados, a variedade dominante era a Gros Michel - mais doce, cremosa e aromática que as atuais. Essa espécie de banana, porém, já não existe mais: ela desapareceu do mercado global após ser exterminada pela Murcha de Fusarium, praga popularmente conhecida como mal-do-Panamá.
Essa infecção fúngica mata a planta ao ocupar seu sistema vascular, bloqueando o transporte de água e minerais que permite a sobrevivência das bananas. Altamente resistente, a Fusarium oxysporum pode resistir no solo de plantações por mais de 20 anos e não existe cura química viável ou tratamento eficaz para eliminar o fungo depois que ele contamina o local.
Como alternativa para o consumo mundial, surgiu a banana do tipo Cavendish (que no Brasil chamamos de nanica). Hoje, essa é a variedade mais comum no mercado, desenvolvida justamente como uma resposta à doença que dizimou as Gros Michel. Durante cerca de 40 anos, a Cavendish prosperou nas plantações que abastecem a maior parte do mercado global por ser resistente à cepa original do fungo.
Em 1990, porém, esse cenário começou a mudar. Uma variante agressiva do fungo, conhecida como Raça 4 Tropical (R4T), começou a se desenvolver e destruir o grupo Cavendish. Desde então, a R4T se espalhou e tem atacado plantações de banana em várias partes do mundo.
