Na zona industrial de Catanduva, no interior de São Paulo, um esqueleto de concreto de cerca de 6 mil metros quadrados guarda a memória de um dos empresários mais comentados da região.
Atualmente foragido, Mohamad Hussein Mourad, o Primo, é apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como um dos chefes do núcleo central do esquema alvo da operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025.
Segundo a promotoria, a construção abrigaria a sede do Grupo Itajobi, que reúne as usinas Itajobi, Carolo e Rio Pardo, compradas por Primo e por Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, em 2023. O prédio simbolizaria o sucesso da organização criminosa liderada pela dupla. A obra foi bloqueada pela Justiça ainda na primeira fase da operação e nunca foi concluída.
Essa e outras histórias sobre a trajetória de Primo e Beto Louco e o impacto da Carbono Oculto no interior paulista estão na série especial do Metrópoles “Do canavial à Faria Lima”. O primeiro capítulo foi publicado nesta quarta-feira (28/10).
Obra intrigava a vizinhança
A construção fica a cerca de 3 quilômetros de uma delegacia da Polícia Civil. Antes da operação, intrigava quem morava e trabalhava por perto. Os trabalhos começavam antes das 7h, caminhões com material chegavam o tempo todo e ninguém sabia ao certo o que estava sendo erguido. Donos de bares e restaurantes da região comemoravam a perspectiva de novos fregueses.
A expectativa acabou na manhã de 28 de agosto de 2025, dia da Carbono Oculto.
