Embora a medicina tradicional chinesa defenda que o aquecimento dos pés está relacionado ao “útero quente”, a ideia de que andar descalço no chão gelado resfria o órgão reprodutor feminino e causa dores menstruais não passa de um mito sem comprovação científica.
As cólicas menstruais têm causas estritamente biológicas, hormonais e anatômicas, desencadeadas pela produção de prostaglandinas, substâncias inflamatórias produzidas pelo endométrio que estimulam as contrações do músculo uterino.
O corpo humano possui mecanismos de autorregulação térmica que mantêm os órgãos internos protegidos das variações do ambiente externo, independente do calçado utilizado ou do contato direto dos pés com superfícies frias.
O útero está localizado na cavidade pélvica e compartilha a temperatura central do organismo, que se mantém estabilizada entre 36 °C e 37 °C por meio da homeostase. De acordo com o ginecologista e obstetra Sérgio Floriano, docente na Universidade São Judas, o organismo feminino dispõe de isolamento físico e vascular estruturado para resguardar a região reprodutiva contra o frio externo.
“O corpo prioriza a manutenção da temperatura dos órgãos vitais e reprodutivos, independentemente de os seus pés estarem gelados ou quentes”, explica Sérgio.
O médico detalha que, em dias frios, ocorre uma vasoconstrição periférica, isto é, o cérebro ordena que os vasos sanguíneos das extremidades se afunilem.
