O debate sobre financiamento da natureza costuma partir da mesma pergunta: onde encontraremos os recursos necessários para conservar florestas, recuperar áreas degradadas e proteger a biodiversidade? O recém-lançado relatório Financing Nature 2026 sugere que essa talvez não seja a pergunta mais importante. O principal desafio não é apenas mobilizar mais recursos para a conservação, mas corrigir os incentivos econômicos que continuam direcionando volumes muito maiores de capital para atividades que degradam a natureza.
Em 2023, os fluxos financeiros com impactos negativos sobre a natureza alcançaram US$ 7,3 trilhões, cerca de trinta vezes o valor investido em soluções baseadas na natureza, e US$ 2,4 trilhões desse total correspondiam a subsídios públicos com efeitos negativos para o meio ambiente. Estamos, assim, acelerando em duas direções ao mesmo tempo: enquanto cresce o financiamento destinado à proteção ambiental, crescem também os mecanismos que estimulam o desmatamento, a degradação de ecossistemas e o uso insustentável dos recursos naturais.
Financiamento da natureza: por que a economia precisa mudar seus incentivos
