O risco de as famílias brasileiras não conseguirem quitar as dívidas atingiu o maior nível desde 2012. Além disso, a parcela da renda destinada ao pagamento dessas obrigações chegou ao maior patamar em 21 anos. Os dados constam no Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central (BC), divulgado nesta terça-feira, 27.
Para avaliar esse risco, o Banco Central utiliza o indicador de ativos problemáticos (AP), que considera tanto as dívidas com atraso superior a 90 dias quanto aquelas que apresentam sinais de que não serão pagas integralmente. Em junho de 2026, essas operações representavam 9,2% do total de crédito concedido às pessoas físicas, depois de o índice ter alcançado 9,3% no período anterior.
O aumento dos atrasos no pagamento das dívidas foi o principal responsável pela piora do indicador. Segundo o Banco Central, a situação é ainda mais preocupante entre as famílias de menor renda, que enfrentam mais dificuldades para manter os pagamentos em dia.
Cartão de crédito e consignado registram piora
O avanço dos APs atingiu diferentes modalidades de empréstimo no primeiro semestre. O cartão de crédito encerrou junho com 12,7% da carteira nessa condição, depois de alcançar 13,2%. No crédito consignado, o indicador chegou a 5%, enquanto o financiamento de veículos registrou 8,5%.
No crédito pessoal sem desconto em folha e sem garantias, a proporção chegou a a quase 15%.
